Usuárias do transporte público em Brasília e Entorno enfrentam barreiras crescentes para acessar serviços de saúde e outros direitos essenciais, impulsionadas pelo alto custo das passagens e pela precariedade do sistema. Um estudo recente da UnB defende a tarifa zero como medida para reduzir desigualdades raciais e territoriais que afetam de forma desproporcional a população negra de baixa renda residente em periferias. Relatos coletados na Rodoviária do Plano Piloto, em Cidade Ocidental, Lago Sul e Samambaia ilustram atrasos em consultas médicas, agravamento de doenças crônicas e impactos na saúde mental decorrentes de longos deslocamentos e tarifas que chegam a R$ 18 por dia.
Relatos pessoais revelam perdas recorrentes
Núbia Sales Veras, auxiliar de serviços gerais de 52 anos, descreveu na tarde de sexta-feira, 12 de junho de 2026, como a demora dos ônibus e o valor da passagem comprometem seu tratamento. Helena Simão, aposentada de 72 anos, também relatou dificuldades semelhantes ao tentar chegar a consultas médicas. Os pesquisadores Paíque Duques Santarém e colegas da UnB cruzaram esses depoimentos com dados que mostram limitação de acesso à cidade para moradores de áreas periféricas.
Já perdi compromisso, já perdi consulta do meu tratamento no [hospital] Sarah [instituição de saúde focada em reabilitação motora e neurológica], tudo por causa da demora do ônibus e do valor da passagem
Núbia Sales Veras
Estudo aponta efeitos desproporcionais
A pesquisa da UnB conclui que barreiras econômicas e territoriais à mobilidade atingem com maior intensidade a população negra periférica, restringindo oportunidades de saúde, educação e cultura. Paíque Duques Santarém destacou o potencial transformador da tarifa zero, comparando-o ao impacto histórico do Sistema Único de Saúde. A superlotação e a imprevisibilidade do transporte público agravam ainda mais as desigualdades já existentes no Distrito Federal e entorno.
Isso significa que as barreiras econômicas e territoriais à mobilidade incidem de forma desproporcional sobre essa população, limitando seu acesso à cidade e aos seus serviços
Estudo da UnB
