Na manhã de sexta-feira, 26 de junho de 2026, os restos mortais de Grenaldo de Jesus da Silva, assassinado pela ditadura militar em 1972 e enterrado como indigente em vala clandestina, receberam sepultamento digno no Cemitério Dom Bosco, em Perus, São Paulo. A cerimônia, realizada no Dia Internacional de Apoio às Vítimas da Tortura, incluiu cortejo com coroa de flores e o canto de “Pra Não Dizer que Não Falei das Flores”, após identificação forense conduzida pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. Familiares, autoridades e representantes de instituições participaram do ato que devolveu dignidade à vítima e simbolizou avanço na busca por memória, verdade e reparação.
Detalhes da cerimônia no Cemitério Dom Bosco
Os restos foram depositados na sepultura 105, gleba 1, quadra 2, com placa comemorativa. O filho Grenaldo Mesut acompanhou o traslado e expressou emoção ao ver o pai receber um lugar digno. A ministra Janine Mello destacou o significado histórico do momento para o Estado brasileiro. A procuradora Eugênia Augusta Gonzaga ressaltou que o ato devolve esperança às famílias que ainda buscam seus entes desaparecidos.
Declarações de familiares e autoridades
Para mim é uma felicidade muito grande, é uma mistura de emoções, mas eu estou muito feliz.
Grenaldo Mesut
E que essa felicidade possa também ser passada aos outros que estão ainda na luta buscando os seus entes queridos e seus familiares. E que um dia eles possam ter a mesma felicidade que eu estou tendo, de poder dar um lugar digno para o meu pai, que foi um herói dessa nação.
Grenaldo Mesut
Este momento tem um profundo significado para a história do Brasil e significa um grande avanço para o Estado brasileiro.
Janine Mello
Edson Teles, da Unifesp, afirmou que a entrega dos restos mortais representa grande reparação histórica ao país e aos movimentos de direitos humanos. A ação envolveu ainda a Cortel e o Caaf/Unifesp, reforçando o compromisso com a justiça e a memória das vítimas da ditadura.
