Economistas afirmam que o crescimento do PIB brasileiro acima de 2% em 2026 tornou-se menos provável após dados recentes de varejo, serviços e indústria mostrarem desaceleração. Os números divulgados pelo IBGE em agosto de 2026, referentes a junho, reforçam o impacto dos juros altos adotados pelo Banco Central para conter a inflação. Analistas do mercado consultados pelo Ministério da Fazenda e projeções do FMI indicam que a atividade econômica perde ritmo de forma gradual.
Dados revelam perda de dinamismo
O varejo, os serviços e a indústria apresentam sinais claros de arrefecimento no segundo trimestre. Juros elevados reduzem o consumo e os investimentos, conforme destacam economistas como Sergio Vale, da MB Associados, e André Valério, do Inter. Mesmo com incentivos fiscais implementados pelo governo, a desaceleração ocorre de maneira natural e esperada.
Visões dos especialistas sobre o cenário
Os juros começam a ter o seu efeito esperado. Era natural que a economia começasse a desacelerar com mais intensidade. Isso reforça a ideia de que PIB acima de 2% este ano está ficando cada vez mais difícil
Sergio Vale
Para um crescimento acima de 2%, precisaríamos ver uma aceleração da economia ao longo do ano. Não é o cenário que a gente está vendo no segundo trimestre e definitivamente não é o mais provável até o final do ano, completa Sergio Vale. André Valério observa que os sinais de perda de dinamismo persistem apesar das medidas de incentivo fiscal.
Desaceleração considerada saudável
É natural que a gente veja uma desaceleração. É saudável que isso aconteça, porque, se a economia continuasse crescendo no mesmo ritmo em que estava, provavelmente a gente teria mais inflação.
Rodolpho Sartori
Especialistas do Inter, Buysidebrazil e XP concordam que o ritmo atual torna o patamar acima de 2% menos viável até dezembro de 2026. O Banco Central mantém a política monetária para equilibrar inflação e atividade econômica.
