Famílias das etnias Kaiowá e Guarani retomaram a Fazenda Limoeiro, área sobreposta ao Tekoha Tapy Kora dentro da Terra Indígena Iguatemipeguá II, no município de Amambai (MS). A ação ocorreu em meio a pendências de demarcação desde 2008 e gerou confronto com a Polícia Militar de Mato Grosso do Sul na tarde de 18 de junho de 2026, quando mais de dez viaturas, incluindo o Batalhão de Choque, entraram no local com uso de bombas e disparos de armas de fogo. A Força Nacional atua como mediadora, enquanto o Ministério dos Povos Indígenas e a Funai acompanham a situação.
Resposta institucional e mediação
O Ministério dos Povos Indígenas realizou reunião de emergência após os fatos. Os órgãos presentes reforçaram a necessidade de cumprimento rigoroso da legalidade e dos protocolos judiciais em operações que envolvam direitos coletivos de povos indígenas. A ampliação do efetivo da Força Nacional foi autorizada em 17 de junho de 2026 para evitar novos confrontos.
No encontro, os órgãos destacaram a necessidade de observância rigorosa da legalidade e do cumprimento dos protocolos estabelecidos pelo judiciário na atuação das forças de segurança na realização de reintegrações de posse que envolvam direitos coletivos constitucionalmente assegurados.
Ministério dos Povos Indígenas
Posicionamento das organizações indígenas
O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e a Aty Guasu Guarani e Kaiowá destacaram que a retomada representa resposta à morosidade na demarcação e à violência crescente na região. Muitas famílias vivem em acampamentos precários às margens de rodovias enquanto aguardam a regularização fundiária. As entidades exigem que nenhuma ação policial ocorra sem decisão judicial prévia e presença da Funai, do Ministério Público Federal e da Polícia Federal.
Mais uma vez, o povo Guarani e Kaiowá foi alvo de violência, intimidação e violação de direitos fundamentais garantidos pela Constituição Federal, por tratados internacionais de direitos humanos e pela legislação que assegura os direitos originários dos povos indígenas sobre seus territórios tradicionais.
Aty Guasu Guarani e Kaiowá
