Mulheres de comunidades quilombolas de todo o país lançaram nesta quinta-feira, 11 de junho de 2026, o “Plano emergencial para proteção às mulheres quilombolas defensoras dos direitos humanos” na região administrativa do Gama, no Distrito Federal. O documento de 85 páginas foi apresentado no primeiro dia do encontro nacional da Conaq, que reúne mais de 500 participantes até o dia 14 de junho e marca os 30 anos da coordenação. A iniciativa responde ao agravamento dos conflitos agrários e ambientais que atingem lideranças femininas e busca unificar estratégias contra os impactos das mudanças climáticas nos territórios tradicionais.
Plano traz demandas por políticas públicas e proteção territorial
Coordenado por Selma Dealdina e Sandra Braga, o plano enfatiza garantias de proteção coletiva e territorial, análises de gênero e raça, valorização dos saberes quilombolas e fortalecimento de equipes de apoio. As participantes destacam a necessidade de respostas estatais concretas diante da vulnerabilidade crescente das defensoras de direitos humanos. O material foi construído de forma coletiva para orientar ações imediatas e de médio prazo nos territórios.
Encontro inclui exibição de documentário e debates temáticos
Além da apresentação do plano, o evento promove a exibição do documentário “Cafuné” e debates sobre comunicação, justiça climática e ancestralidade. Essas atividades reforçam o papel da Conaq na articulação nacional e na troca de experiências entre as comunidades. A programação busca ampliar o diálogo intergeracional e fortalecer redes de solidariedade entre as mulheres quilombolas.
Participantes reforçam importância da ancestralidade e da alegria coletiva
As falas das lideranças presentes evidenciam o compromisso com a continuidade das lutas e a preservação da identidade quilombola.
Realizar o fortalecimento dos territórios, da nossa ancestralidade e de tudo aquilo que nós representamos
Sandra Braga
O quilombo é também um lugar onde se cria alegria. Não uma alegria ingênua, que desconhece os problemas quilombolas, mas uma alegria que nos move para frente, para transformação
Maria Júlia Coutinho
