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Mulheres negras jovens mantêm piores indicadores de emprego no Brasil em 2025

© Noticia Preta./Pexels
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Um relatório da Rede Multiatores MUDE com Elas, elaborado pelo Ceert, revela que mulheres negras jovens de 14 a 29 anos mantêm os piores indicadores de desemprego, informalidade, desalento e rendimento no mercado de trabalho brasileiro, mesmo após melhorias gerais registradas na PNAD Contínua 2025. A análise cruzou dados de raça, gênero, idade e território, com foco especial na Região Metropolitana de São Paulo, e mostrou que as desigualdades estruturais persistem apesar do avanço econômico recente.

Indicadores que revelam exclusão

Os microdados analisados pelo Ceert confirmam que o acesso à educação não elimina as barreiras enfrentadas por esse grupo. Mulheres negras jovens continuam mais expostas à informalidade e ao desalento, com rendimentos inferiores aos de outros segmentos da população. A coordenadora Shirley Santos ressalta que o problema vai além da formação escolar e envolve mecanismos de exclusão que operam de forma contínua na sociedade brasileira.

O mercado de trabalho melhorou, mas não melhorou de forma igual para todas as pessoas. Isso evidencia que o problema não está apenas no acesso à educação, mas também nos mecanismos estruturais de exclusão que continuam operando no mercado de trabalho e na sociedade brasileira. Envolvem racismo estrutural, segregação territorial, desigualdade no acesso às redes de oportunidade, discriminação nos processos de contratação e promoção, além da sobrecarga histórica do trabalho de cuidado.

Shirley Santos

Causas e recomendações para mudança

O relatório aponta o racismo estrutural, a segregação territorial, a discriminação em contratações e promoções, além da sobrecarga do trabalho de cuidado como fatores centrais que limitam as oportunidades. Organizações da sociedade civil contribuíram com relatos que reforçam a necessidade de políticas públicas mais assertivas. Shirley Santos defende que investimentos públicos e compromisso institucional são essenciais para enfrentar essas desigualdades.

O enfrentamento das desigualdades raciais exige investimento público, compromisso institucional e participação social. Uma transição justa — seja no mercado de trabalho, na educação ou na agenda climática — só será efetiva se enfrentar as desigualdades estruturais que organizam a sociedade brasileira.

Shirley Santos

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