Um estudo publicado nesta sexta-feira, 17 de julho de 2026, na Revista Bioética revela que 90% dos médicos recém-formados no Brasil não se sentem preparados para comunicar más notícias em casos de doenças graves. A pesquisa, conduzida por Daniel Alveno, fisioterapeuta do Hospital São Paulo/Unifesp, aplicou questionários a 2.418 profissionais antes da prova de residência médica da universidade e identificou lacunas significativas na formação humanística durante a graduação.
Metodologia e principais achados
O trabalho, iniciado em 2016 e concluído em 2022, analisou a percepção dos participantes sobre o treinamento recebido para usar protocolos como o Spikes. Os resultados mostram que a maioria considera insuficiente a preparação oferecida nas faculdades de medicina, o que aumenta o risco de falhas na comunicação com pacientes em situações delicadas. Daniel Alveno destaca que, sem treino estruturado, a probabilidade de erros nessa interação cresce consideravelmente.
Importância da comunicação adequada
O pesquisador enfatiza que a habilidade é essencial não apenas para transmitir diagnósticos, mas também para esclarecer prognósticos, opções terapêuticas e impactos na qualidade de vida. Ele observa que muitos pacientes precisam entender detalhes sobre tratamentos como quimioterapia ou radioterapia para planejar o futuro com segurança. A comunicação clara permite que famílias permaneçam tranquilas e confiem na equipe, mesmo diante de notícias difíceis.
Avanços na educação médica
Apesar das dificuldades identificadas, o estudo registra progressos recentes na obrigatoriedade de habilidades de comunicação nos currículos médicos brasileiros. Alveno ressalta que essa é uma luta antiga para fortalecer a formação humanística dos profissionais, garantindo que eles atendam pacientes com doenças ameaçadoras da vida de forma mais empática e eficaz.
