A Marcha do Orgulho Trans de São Paulo não acontecerá em 2026. O Instituto SSEX BBOX anunciou sua saída da organização do evento no dia 29 de maio, citando mudanças no cenário da comunidade trans e a redução de patrocínios como principais motivos. A decisão ocorre a poucos dias da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, marcada para 7 de junho no centro da capital.
Comunicado e abertura de inscrições
O Instituto SSEX BBOX divulgou um comunicado à imprensa informando que deixou a coordenação da marcha e abriu inscrições para outros grupos assumirem a realização do evento. A entidade destacou que as necessidades da comunidade trans evoluíram nos últimos nove anos e que a instituição precisa se adaptar a esse novo contexto. Dificuldades para captar recursos financeiros, especialmente de empresas norte-americanas, foram apontadas como fator decisivo após a posse de Donald Trump.
Impacto na captação de recursos
Representantes de organizações LGBTQIA+ confirmam que o cenário de patrocínios ficou mais restrito. Lyon Adryan Ror, do Instituto SSEX BBOX, afirmou: “Esse ecossistema de investimento e patrocínio ligado às iniciativas LGBTQIA+ mudou consideravelmente nos últimos anos. Isso teve impacto direto em muitas organizações, projetos culturais e iniciativas independentes — e nós não somos diferentes.” Nelson Matias Pereira, da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, observou a redução no número de apoiadores: “Se você observar, eu vou ter só dois patrocinadores na Parada, e já tivemos seis grandes empresas [patrocinando].”
Perspectivas para a comunidade trans
A ausência da marcha em 2026 levanta discussões sobre como garantir a visibilidade e os direitos da população trans em um ano marcado por eventos políticos e esportivos. A comunidade aguarda a definição de novos organizadores para avaliar a possibilidade de realizar o evento em formato alternativo ou em anos seguintes.
