A praia de São Tomé do Paripe, localizada na Baía de Todos os Santos em Salvador, registra contaminação química desde 19 de fevereiro, com líquido esverdeado e fétido na areia, forte odor de amônia e presença de compostos nitrogenados e metais como cobre. A situação completa 100 dias em 30 de maio e tornou a área imprópria para banho, pesca e contato com a água, afetando diretamente cerca de 10,7 mil das mais de 18 mil pessoas da comunidade, entre pescadores, marisqueiros e famílias quilombolas.
Causas e inspeções técnicas
Moradores notaram o cheiro de amônia trazido pelo vento e escavações na areia revelaram o líquido contaminante. Inspeções do Inema confirmaram a presença de poluentes na água, no sedimento e na biota. As atividades do Terminal Marítimo de Granéis foram suspensas e as empresas Intermarítima e Gerdau foram notificadas para remediação, embora atribuam mutuamente a responsabilidade pelo vazamento de fertilizantes e outros produtos químicos.
Reivindicações da comunidade
Protestos e reuniões semanais mediadas pelo Ministério Público marcaram a mobilização local. A promotora Hortênsia Gomes Pinho defendeu medidas urgentes para amparar as famílias.
Mas seria importante um decreto de emergência com um cadastro confiável das vítimas, para que o juiz que receber essa ação possa compelir as empresas a tomar as medidas necessárias em relação ao auxílio às famílias.
Hortênsia Gomes Pinho
Expansão da poluição
A vereadora Eliete Paraguassu alertou para o alcance do contaminante em outras praias da capital baiana, com registro de animais mortos. O eletrotécnico Jocivaldo Nascimento descreveu o processo de lavagem de pistas no terminal.
Pela empresa armazenar e transportar fertilizante, eles lavavam a pista toda suja com esse material. E toda essa água suja corria para o mar.
Jocivaldo Nascimento
Então, todo esse contaminante está se espalhando e já chegou em algumas das praias da cidade de Salvador. Já tem aparecido peixes e bichos mortos, como tartaruga.
Eliete Paraguassu
