Documentos, manuscritos e textos do abolicionista Luiz Gama foram submetidos à Unesco para reconhecimento como Patrimônio Documental da Humanidade no Programa Memória do Mundo. A candidatura foi oficializada em 26 de novembro de 2025 pelo Ministério das Relações Exteriores e pelo Arquivo Nacional, com dossiê organizado pelo Arquivo Público do Estado de São Paulo (Apesp). O resultado da avaliação está previsto para o final de 2027.
Candidatura e documentos preservados
O dossiê reúne cartas de alforria, livros e outros registros que comprovam a atuação de Luiz Gama na libertação de mais de 500 pessoas escravizadas. Pesquisadores como Lígia Fonseca Ferreira, Marcelo Quintanilha, Thiago Nicodemo e Bruno Rodrigues de Lima participaram da organização do material, que destaca a luta do abolicionista pela liberdade e igualdade no Brasil do século XIX.
Tudo que escreveu e a maneira como, depois, se voltou para a libertação de indivíduos tem um olhar particular, quase de caso a caso, entendendo aqueles com quem tratou
Lígia Fonseca Ferreira
Impacto da obra de Luiz Gama
A iniciativa busca reparação histórica ao valorizar a produção intelectual de um homem que, mesmo após a alforria, enfrentou resistências ao denunciar casos de escravização ilegal. Os documentos reforçam o papel de Gama como jurista que criou soluções inéditas em uma sociedade conservadora, ampliando o debate sobre emancipação humana.
Uma obra abolicionista é uma obra de afirmação da liberdade, da emancipação humana e da igualdade entre todos e todas em um país que mais afirmou o contrário disso. A desigualdade, a violência e a escravização, que, no limite, é a forma mais brutal de exploração do homem e da mulher
Bruno Rodrigues de Lima
O reconhecimento pela Unesco pode ampliar o acesso público aos arquivos e fortalecer políticas de memória no Brasil. A candidatura envolve ainda o apoio de instituições como o Apesp, que preservam os originais e garantem a integridade do acervo para futuras gerações.
