O presidente Luiz Inácio Lula da Silva entregou 18 títulos de domínio a nove comunidades quilombolas localizadas em seis estados, durante um encontro realizado no Distrito Federal em 11 de junho de 2026. O evento, organizado pela Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), reuniu cerca de 500 mulheres quilombolas e contou com a presença da ministra Fernanda Machiavelli e de Maria Rosalina dos Santos. A iniciativa regularizou 11,6 mil hectares de terra e beneficiou 1.780 famílias, concluindo processos de titulação fundiária em andamento.
Regularização fundiária beneficia famílias quilombolas
A entrega dos títulos representa um passo importante na proteção territorial dessas comunidades, formadas por descendentes de pessoas escravizadas. O processo abrange áreas em diferentes regiões do Brasil e visa garantir o acesso à terra para populações historicamente marginalizadas. Autoridades destacaram que a medida contribui para a justiça climática e o fortalecimento da autonomia local.
Reparação histórica marca discurso presidencial
Durante o encontro, o presidente enfatizou a necessidade de reconhecer o papel do povo negro na formação do país. Ele afirmou que o Brasil tratou durante séculos a população negra, pobre e trabalhadora como inexistente.
Esse país, durante séculos e séculos, tratou o povo negro, o povo pobre, o povo trabalhador, o povo da periferia como se nós fôssemos uma população inexistente, como se não existíssemos.
Luiz Inácio Lula da Silva
Maria Rosalina dos Santos complementou que a titulação representa reparação após mais de 300 anos de escravidão, cujos efeitos persistem na forma de discriminação e apagamento. O presidente também ressaltou que o fim da escravidão não foi acompanhado de políticas de inclusão, deixando a população negra sem emprego, saúde, educação ou terra.
