Política

Tarifas americanas sufocam citricultura brasileira e expõem falhas na diplomacia econômica

A imposição de uma tarifa de 50% pelos Estados Unidos sobre subprodutos do suco de laranja brasileiro, como células cítricas e óleos essenciais, representa um golpe devastador para o setor, com perdas estimadas em mais de R$ 2,9 bilhões pela Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR). Essa medida protecionista, que exclui o suco in natura mas atinge itens processados usados em indústrias de bebidas, alimentos e cosméticos, compromete imediatamente a competitividade nacional e revela a fragilidade das relações comerciais bilaterais. Com prejuízos potenciais de R$ 1,54 bilhão apenas nesses subprodutos, somados à tarifa de 10% já aplicada ao suco (que pode custar R$ 566,7 milhões adicionais) e à queda de 20,17% no preço médio da tonelada exportada, o cenário é de colapso iminente, agravado pelo aumento de 36% na produção de laranja nesta safra, segundo o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus).

Pior ainda, os Estados Unidos, que absorvem 36% do óleo prensado, 39% do óleo comum e quase 60% do d-limoneno brasileiros, agora ameaçam não só os produtores nacionais, mas também suas próprias empresas dependentes desses insumos, criando um efeito cascata negativo, como alerta o diretor-executivo da CitrusBR, Ibiapaba Netto. Essa política unilateral ignora interdependências econômicas e força o Brasil a lidar com estoques elevados, margens reduzidas e riscos à sustentabilidade do agronegócio, expondo a ineficácia da resposta governamental até o momento.

Enquanto o governo brasileiro estuda medidas para reverter ou mitigar essas tarifas, a incerteza reina em um dos segmentos mais tradicionais da economia nacional, destacando como o protecionismo americano, sob pretexto de defesa comercial, na verdade mascara uma estratégia de dominação de mercado que pune aliados e agrava desigualdades globais.

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