Política

CCJ retoma debate sobre redução da maioridade penal para 16 anos

© José Cruz/Agência Brasil
© José Cruz/Agência Brasil

A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados retomou na terça-feira, 19 de maio de 2026, o debate sobre a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos por meio da análise de admissibilidade da PEC 32/15. Os parlamentares discutiram a proposta em Brasília, com o relator Deputado Coronel Assis destacando uma pesquisa que aponta apoio de 90% dos brasileiros e garantias de cumprimento de penas em unidades separadas caso a medida avance. A discussão ocorre em meio a críticas de que a iniciativa seria oportunista e eleitoreira.

Posição dos especialistas sobre a constitucionalidade

Durante a sessão, o advogado Ariel de Castro Alves, membro da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente do Conselho Federal da OAB, alertou os parlamentares da CCJ sobre os riscos jurídicos envolvidos. Ele argumentou que a proposta ignora o Estatuto da Criança e do Adolescente ao propor respostas penais em vez de medidas socioeducativas. A análise de admissibilidade, se acolhida, encaminhará o texto para uma comissão especial, onde o tema será aprofundado com base em parecer técnico.

Impactos sociais e argumentos contrários à medida

Críticos presentes à reunião afirmam que reduzir a idade penal reconhece falhas do Estado na educação e inclusão de adolescentes. Eles destacam que o foco deveria permanecer em políticas de prevenção ao invés de alterações no Código Penal. O relator citou o amplo apoio popular como justificativa para seguir com a tramitação, enquanto opositores pedem mais estudos sobre os efeitos práticos da mudança.

Os próximos passos incluem a votação da admissibilidade na CCJ, que definirá se a PEC 32/15 prossegue ou é arquivada. Especialistas recomendam equilibrar a opinião pública com princípios constitucionais para evitar retrocessos em direitos fundamentais.

Os parlamentares sabem sobre a inconstitucionalidade da proposta baseada na supressão de direitos fundamentais dos adolescentes de responderem por seus atos com base no ECA [Estatuto da Criança e do Adolescente], e não pelo Código Penal.

Ariel de Castro Alves

Reduzir a idade penal seria como reconhecer a incapacidade do Estado em educar e incluir socialmente seus adolescentes. Quando o Estado, a sociedade e as famílias excluem, o crime acaba incluindo.

Ariel de Castro Alves

Notícias relacionadas

GoiásPolítica

Lissauer Vieira promete a Bruno Peixoto que ele segurará os mais de 2000 cargos comissionados de Bruno na Assembleia

O clima nos bastidores da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) é de...

PolíticaSegurançaTecnologia

Bill Gates alerta que IA pode causar até 1 bilhão de mortes

Bill Gates alertou para os riscos da inteligência artificial em entrevista ao...

Foto: © Tânia Rêgo/Agência Brasil - Eduardo Marques
BrasilPolítica

Aneel anuncia bandeira verde na conta de luz a partir de outubro de 2026

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou que a bandeira verde...

Eleições 2026GoiásPolítica

Viúva de Amilton Filho assume candidatura à Assembleia de Goiás

Ana Caroline Guimarães, do MDB, assumirá a candidatura à Assembleia Legislativa de...