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Educadores sociais voluntários são apoio altruísta nas escolas públicas. Mais de 6 mil educadores sociais voluntários oferecem suporte individualizado

O foco do educador social voluntário é apoiar individualmente alunos com necessidades especiais, facilitando o trabalho do professor que não consegue realizar esse tratamento. Diferentemente dos monitores, eles não recebem remuneração e atuam de forma altruísta para contribuir com a educação e inclusão social. Segundo a pesquisa Educação inclusiva no Distrito Federal: o papel dos educadores sociais voluntários, realizada pelo Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF) em 2024, a rede pública de ensino do DF conta com mais de 6 mil educadores sociais voluntários atuando em 684 estabelecimentos de ensino. 

Em 14 de agosto, um menino autista teria sido amarrado e sedado na Escola Classe 102 Sul, após uma crise de agitação. A direção acionou o Samu, que levou a criança ao hospital sem informar aos responsáveis, que só foram avisados quando ela já estava na ambulância. A escola não conta com o apoio desses profissionais. 

As estruturas rígidas e particularidades acadêmicas podem frustrar alunos com necessidades especiais. “A falta de formação adequada dos professores dificulta a inclusão, exigindo abordagens adaptadas e suporte contínuo para atender tanto às necessidades acadêmicas quanto emocionais. O educador social voluntário cria um ambiente acolhedor e adaptado para seu pleno desenvolvimento”, explica a neuropsicóloga Juliana Gebrim.

Crises

O CAIC Júlia Kubitschek de Oliveira, escola de ensino fundamental localizada em Sobradinho II, conta com 19 educadores sociais voluntários. Eles são responsáveis por propor um atendimento individual para os alunos com deficiências, incluindo alimentação, higienização e locomoção (no caso dos deficientes físicos). E ainda lidam com casos de instabilidade emocional.

Geisly Rodrigues Pinheiro, 32, trabalha no local desde 2016 e ressalta a importância do acompanhamento nessas situações. “É comum haver gritos, choros, mal-estar e até comportamentos agressivos com as crianças com Transtorno Opositor Desafiador (TOD) e Transtorno do Espectro Autista (TEA). Procuro levar para um lugar tranquilo, como o parquinho, e ali passar segurança e tranquilidade”, detalha. 

De acordo com os dados coletados na pesquisa, 50% dos alunos apresentavam algum tipo de deficiência mental, com um destaque preocupante para o Transtorno do Espectro Autista (TEA), que afetava 82% desse grupo. Além das deficiências mentais, 45% dos alunos atendidos enfrentavam deficiências físicas, necessitando de assistência em atividades diárias, o que ressalta a importância de um ambiente escolar adaptado e acolhedor. As dificuldades visuais e auditivas também foram identificadas, com 13% dos alunos apresentando problemas em cada uma dessas áreas.

A dificuldade é agir de maneira adequada com aqueles que não têm laudo, como afirma Ana Carolina de Oliveira, 27, educadora social voluntária desde 2021. “Existem crianças que nós sabemos que são diferentes, então tentamos ajudá-las. Mas quando isso não é identificado, ela não é encaminhada para obter um tratamento personalizado”, conta. 

Caroline Teixeira, 29, é professora da instituição e mãe de Bernardo, 6, aluno diagnosticado no ano passado com autismo. Até então, o pequeno não recebia um acompanhamento especial, já que suas atitudes ainda não tinham uma justificativa, o que dificultava a rotina de todo mundo. “A professora não conseguia lidar com ele sozinha, tendo uma turma inteira para administrar. Todo dia ele fugia da sala de aula para vir até a minha. Nem eu conseguia trabalhar e nem ele estudava”, relata. 

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